Em ato cultural, livro “Príncipe Custódio – Distinto Morador de Porto Alegre” é lançado na Cidade Baixa

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Publicação foi iniciativa do Coletivo Sindical Antirracista

Após mais de 130 anos da assinatura da Lei Áurea, a noite de ontem, 13 de Maio, foi marcada por animação e festa à luta do povo preto, no lançamento do livro “Príncipe Custódio – Distinto Morador de Porto Alegre”, que aconteceu na Travessa dos Venezianos, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. O Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) participou da atividade cultural que reuniu representantes sindicais e de movimentos sociais.

 

 

Nas falas dos sindicalistas e parlamentares presentes, muitas críticas à abolição sem reparação, denunciando que os impactos desse processo ainda aparecem nas desigualdades do mercado de trabalho, na violência e no racismo estrutural que marca o país. Porém, também se falou da necessidade de contar a história do povo preto, invisibilizada ao longo do tempo, e do quanto o resgate do Príncipe Custódio é fundamental para isso.

“É uma honra ter participado desse projeto tão importante para a gente”, disse a secretária adjunta de Movimentos Sociais, Gênero e Etnias do Sindiserf/RS, Valéria da Silva Amaral. Através do Coletivo de Negras e Negros do Sindicato (Conesindiserf/RS), a diretora acompanhou todo o processo de construção do livro.

O secretário-geral do Sindiserf/RS, Walter Morales Aragão, trouxe que apesar de maioria no país, a população negra segue concentrada nos empregos mais precarizados, nos menores salários e nas ocupações de maior vulnerabilidade. “É lançamento de um livro sobre um Príncipe preto e precisamos sempre lembrar que a classe trabalhadora brasileira tem cor”, declarou.

 

 

O livro foi escrito por Nandi Barrios e sua publicação é uma iniciativa do Coletivo Sindical Antirracista. Além do Sindiserf/RS, integram o grupo, o Sindjus, Semapi, Cpers/Sindicato, SindBancários e Sintrajufe. O Movimento Negro Unificado (MNU) e a União de Negras e Negros pela Igualdade (UNegro) são parceiros da iniciativa.

Além da sessão de autógrafos do escritor, a atividade ainda teve diversas atrações culturais como música e teatro.

 

 

Quem foi – africano de Benin, Custódio Joaquim Almeida viveu anos em Porto Alegre e é considerado um dos pilares da cultura afro-gaúcha e do fortalecimento da negritude. O palacete onde o príncipe morou é ao lado da Travessa dos Venezianos.

Foi ele o responsável pelo assentamento do Bará do Mercado Público, no centro de Porto Alegre. Príncipe Custódio, como ficou conhecido, morreu em 26 de maio de 1935, aos 104 anos.

 

 

Fonte: Sindiserf/RS
Fotos: Renata Machado (Sindiserf/RS)