Sindiserf/RS amplia formação para o enfrentamento e prevenção de assédios nos locais de trabalho

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O aumento dos casos de adoecimento mental de trabalhadoras e trabalhadores oriundos de situações de assédio, tanto moral como sexual, requer medidas de prevenção urgentes. Com objetivo de esclarecer e prevenir situações de assédios e consequentemente, o adoecimento mental, o Sindicato dos Servidores Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) está ampliando a formação sindical e desenvolvendo um calendário de ações para o enfrentamento e prevenção de assédios nos ambientes de trabalho.

Nesta tentativa de ampliar esforços no combate a assédios e amplificar meios de diagnosticar e prevenir o adoecimento mental da categoria, o Sindiserf/RS junto com a assessoria jurídica do Woida, Magnago, Skrebsky, Colla & Advogados Associados terá uma programação especial em setembro, mês da campanha brasileira de prevenção ao suicídio.

 

Profissionais da saúde

O programa, que se propõe a atender toda a categoria, irá iniciar com os empregados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) que atuam nos três hospitais universitários da rede no estado: Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPel) e Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. de Rio Grande (HU-FURG). Passado o período mais crítico da pandemia de covid-19, é nítido o aumento de doenças mentais nos profissionais da saúde.

“Neste momento, estamos fazendo visitas nos hospitais do RS, conversando sobre medidas de prevenção e enfrentamento de todos tipos de assédio”, explica o secretário de Saúde do Trabalhador em exercício do Sindicato, Jaques Boeno.

O dirigente é empregado da Ebserh e lembra que os trabalhadores da saúde são reconhecidamente uma categoria muito acometida de doenças do trabalho, inclusive o Burnout (conhecida como síndrome do esgotamento profissional). “Estamos atentos e trabalhando para minimizar os riscos. Acolhendo as demandas da categoria”, garante.

De acordo com Jaques, as questões financeiras são importantes para toda a categoria dos trabalhadores e a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) com a Ebserh gera grande expectativa para atender essa demanda, tanto que um dos compromissos assumidos pela própria gestão da empresa, durante as negociações do último Acordo é o combate ao assédio moral através da campanha “Tolerância zero”.

“Mas é preciso lembrar que o Sindicato atua o ano inteiro com o objetivo de garantir direitos, dentre eles o de um ambiente trabalho saudável e digno, sem assédios”, afirma ele.

 

Atuação sindical

Já a secretária geral do Sindiserf/RS, Eleandra Raquel da Silva Koch, ressalta que a luta contra os assédios no mundo do trabalho é permanente e depende de ações objetivas de combate e prevenção. “Por isso, o Sindiserf/RS está aprofundando a formação sindical sobre o tema para toda a categoria, buscando construir ações continuadas que visem prevenir e combater as situações de adoecimento no trabalho que decorrem de assédios e violências no ambiente laboral. Bem como, cobrando ações efetivas dos órgãos e empresas públicas”, informa ela.

As violências no trabalho e entre elas o assédio moral e sexual tem aumentado nas últimas décadas, a partir disso, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RS, Mara Weber, pondera que “esse agravamento tem um nexo causal com a crise longa do capitalismo neoliberal que está em curso e que aumenta a pressão sobre trabalhadoras e trabalhadores”. E neste contexto, sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais tem papel central no combate a essas violências.

“Precisamos construir espaços de escuta e acolhimento de denúncias em nossas entidades representativas, sobretudo trabalhar na organização das trabalhadoras e trabalhadores para reconhecer, combater e, o mais importante, prevenir em seus locais de trabalho que modelos de gestão usem o assédio como ferramenta de gestão. Não basta punir o agressor, é preciso atuar e pressionar para que as empresas assumam o compromisso de tolerância zero ao assédio moral e sexual nos locais de trabalho e isso implica em democratização das relações de trabalho e mudança nos modelos de gestão das empresas”, defende Mara.

Segundo a dirigente, só a ação organizada e coletiva do movimento sindical é capaz de transformar essa realidade de violência que tem adoecido física e mentalmente as pessoas. “E infelizmente levando à incapacitação e morte de muitas trabalhadoras e trabalhadores”, finaliza.

 

Denúncia – Os servidores e empregados públicos federais podem denunciar casos de assédio, moral e sexual, ao Sindiserf/RS através do e-mail: sindiserfrs.org@gmail.com

Fonte: Sindiserf/RS

Foto: Pixabay