Brasil lidera ranking mundial de países com juros reais mais altos

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Com a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 13,75%, apesar da taxa de inflação estar em 5,6%, o Brasil manteve a liderança do ranking mundial de juros reais pela quarta vez consecutiva, o que prejudica a Nação e o povo.

A taxa de juros reais é a que interessa na prática porque um país pode ter juros de 20%, mas se a inflação for também de 20%, a taxa de juro real é zero. Por outro lado, caso tenha uma taxa de juros reais alta e inflação baixa, como é o atual caso brasileiro, a diferença se converte em ganho para rentistas e perdas para o setor real da economia, o que produz e abre novos postos de trabalho.

De acordo com levantamento elaborado pela gestora Infinity Asset e Portal MoneYou, os dez países que lideram o ranking da taxa real de juros ao ano são:

. Brasil – 6,94%

. México – 6,05%

. Chile – 4,92%

. Filipinas – 2,62%

. Indonésia – 2,45%

. Colômbia – 1,93%

. Hong Kong – 1,74%

. África do Sul – 1,60%

. Israel: 1,57%

. Índia: 1,29%

O levantamento da taxa real de juros compilou dados dos 40 países mais relevantes do mercado de renda fixa mundial nos últimos 25 anos.

 

Entenda porque essa liderança é ruim para o povo e para o país

Taxa básica de juros

Nesta quarta-feira (22), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, manteve a taxa básica de juros, a Selic, que é referência para os demais juros da economia brasileira, em 13,75% – este é o patamar desde agosto de 2022.

Taxa real de juros

A taxa real de juros, que considera a taxa nominal, a Selic, menos a inflação dos últimos 12 meses, não interessa ao setor produtivo e sim a quem tem muito dinheiro para aplicar e lucrar com o juro alto. E isso não ajuda a economia do país, só ajuda os ricos a ficarem mais ricos.

“As taxas de juros reais altas interessam a quem tem dinheiro porque é muito mais fácil deixá-lo no banco rendendo estes juros reais altos do que ‘arriscar’, investindo na compra de máquinas ou adquirindo crédito para compras para investimento produtivo, que é o que gera emprego e renda. Investir nesse cenário se torna mais caro e o retorno é incerto”, explica Leandro Horie, técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo o técnico, a explicação para o  Brasil liderar o ranking dos juros reais é o fato de que no período de alta da inflação o BC elevou as taxas de juros e, no atual, com inflação bem menor do que estava, não faz o movimento contrário, ou seja, baixar a Selic.

“Na prática, os efeitos da manutenção deste patamar de taxa básica de juros, frente à redução da inflação são a queda dos investimentos produtivos e da demanda interna, com o encarecimento do crédito, dos investimentos e a redução do consumo”, diz o técnico do Dieese.

“O Banco Central, responsável pelas taxas de juros praticadas no país, tem atuado de forma excessivamente conservadora, distante da atual realidade da economia brasileira e prejudicando desempenho da economia não só este ano como também pode contaminar 2024, já que mesmo que haja mudanças na taxa de juros na próxima reunião, seu impacto na economia não é imediato”, conclui Leandro.

 

Fonte: CUT Nacional

Foto: REPRODUÇÃO/IMPRENSA BRASIL