A tradicional caminhada do Grito dos Excluídos e Excluídas vai à 32ª edição e, este ano, os manifestantes vão às ruas defender a terra, paz, moradia e a vida das mulheres, na próxima segunda-feira, 7 de setembro. Na capital gaúcha, o ponto de encontro é em frente ao IFRS, no bairro Centro Histórico, às 9h30. O ato principal está agendado para o Cibai Migrações/Assentamento 20 de novembro.
A organização do ato indica que em caso de chuva a manifestação será transferida para a quadra de esportes do Centro Social Irmão Marista Bortolini, no bairro Floresta.
Em contraponto aos desfiles cívicos-militares do Dia da Independência, a rua se pinta de povo e suas demandas populares. A intenção é propor uma reflexão coletiva sobre a independência brasileira a partir das reais condições de vida do povo.
Reivindicações da 32ª edição
A cada ano, um lema. Em 2026, será “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. O lema dialoga com a Campanha da Fraternidade, da CNBB, que lançou em 7 de agosto a campanha “Fraternidade Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A iniciativa busca despertar a consciência sobre o direito à moradia digna como expressão concreta da fé cristã.
A referência às mulheres vivas procura dar visibilidade aos dados dramáticos da violência de gênero no país. De acordo com a organização do evento, 1.500 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2025. No balanço de 2025 do Observatório de Feminicídios Lupa Feminista considera a ocorrência de 92 feminicídios, 264 tentativas e 116 órfãos em decorrência de feminicídios, sendo 50,9% crianças e adolescentes com menos de 18 anos no Rio Grande do Sul.
A edição também chama atenção para a violência no campo, os conflitos provocados pela disputa por terras, água e moradia.
Dados Comissão Pastoral da Terra apontam que o Brasil registrou 1.593 conflitos no campo em 2025. Os conflitos por terra corresponderam a 75% das ocorrências. No mesmo ano, 26 pessoas foram assassinadas em situações relacionadas aos conflitos rurais, o dobro do número registrado em 2024.
Nas cidades, crescem o déficit habitacional e o valor dos alugueis, provocados pela especulação imobiliária.
Já a referência à paz e soberania se trata da proteção da democracia, recursos estratégicos do país e o direito à autodeterminação dos povos contra as guerras, interferências externas ou submissão dos bens naturais aos interesses do mercado, na América Latina e em diferentes regiões do mundo.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores gaúcha (CUT-RS) Amarildo Cenci reflete sobre característicias que devem estar envolvidas na verdadeira independência do povo brasileiro. “Um Brasil ambientalmente sustentável, com soberania, democracia, e acima de tudo com terra, paz e muita casa para essas populações vulnerabilizadas porque isso é um direito básico da pessoa humana”.
Mais de três décadas de história
A ideia de gritar pelos excluídos nasceu de um encontro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O primeiro Grito dos Excluídos, em 1995, foi inspirado pela Campanha da Fraternidade daquele ano: “Fraternidade e Excluídos”. Em apenas quatro anos, o movimento mobilizou 15 países da América Latina e Caribe.
Trabalhadores do campo e da cidade, das periferias, romeiros e pastorais sociais da Igreja Católica, e organizações sindicais representavam as vozes dos excluídos.
Fonte: CUT-RS
Arte: Reprodução