A Condsef/Fenadsef promoveu uma agenda de debates nos últimos dias 22 e 28 de julho sobre as demandas e a pauta das mulheres trabalhadoras, estrutura e prática sindical, plano de lutas e a campanha contra o feminicídio. As reuniões, realizadas de forma virtual, reuniram mulheres da direção e da base da Confederação.
A proposta da agenda de debates surgiu na 9ª Plenária Estatutária da Condsef/Fenadsef, realizada no último mês de abril. O Plano de Lutas construído pela categoria incluiu uma série de resoluções relacionadas à defesa da vida e das mulheres trabalhadoras.
“Entre elas, a realização de momentos como estes onde tratamos da necessidade de promovermos ações que estimulem a maior participação das mulheres no movimento sindical e nos espaços de poder do serviço público bem como da sociedade como um todo, a necessidade de considerar a pauta das mulheres trabalhadoras em conjunto com a pauta sindical geral e o estreitamento do diálogo com os homens em relação à violência praticada contra as mulheres”, comentou a diretora adjunta da Secretaria de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual da Condsef/Fenadsef, Erilza Galvão dos Santos.
“Também tratamos da necessidade de unirmos a política contra o feminicídio à política de cuidados voltada às mulheres no serviço público, além da integração da Condsef/Fenadsef à campanha permanente da CUT no combate ao feminicídio: Pela vida das mulheres, a luta é de todos”, complementou Erilza Galvão.
Essa agenda de debates deve se repetir mensalmente. A próxima rodada está prevista para a primeira quinzena de agosto, em data a ser confirmada.
A Condsef/Fenadsef também está engajada na luta pelo fim do feminicídio, pela ampliação do orçamento para a rede pública de combate à violência contra as mulheres e garantias de execução desse orçamento, pela política de permanência no serviço público, especialmente para mulheres negras, PCDs, responsáveis por PCDs e indígenas, além da ratificação da Convenção 190 da OIT – o primeiro tratado internacional que reconhece o direito de todas as pessoas a um mundo de trabalho livre de violência e assédio.
Campanha da CUT
A Campanha permanente da CUT de Combate ao Feminicídio propõe transformar os ambientes sindicais e de trabalho em espaços seguros, com lideranças preparadas para salvar vidas e protocolos de atuação estabelecidos. O objetivo é construir e fortalecer uma rede de proteção no movimento sindical e nos locais de trabalho, com foco na prevenção por meio de ações articuladas entre diferentes setores.
“É uma campanha muito bem estruturada com eixos importantes que iremos debater com a nossa base, adaptando-a às características da organização e mobilização da Confederação e suas filiadas”, disse Erilza.
O primeiro eixo é “conscientizar”. Ele pretende ampliar o entendimento coletivo sobre a violência de gênero nos locais de trabalho e preparar lideranças para identificar sinais e acolher vítimas. O segundo é “envolver” e tem por objetivo mobilizar trabalhadores e trabalhadoras para que atuem como agentes de prevenção. O terceiro é “institucionalizar”: inserir o combate à violência nas pautas de negociação coletiva nacional, construir ambientes preparados para agir e adaptar as estratégias às diferentes realidades de cada setor.
A Condsef/Fenadsef irá levantar o debate sobre esta campanha na sua categoria para prevenir e promover o enfrentamento da violência contra a mulher, contribuindo para a promoção de um ambiente de trabalho seguro, ético, respeitoso, igualitário e livre da misoginia e quaisquer formas de discriminação e assédio.
PL da Misoginia
A Condsef/Fenadsef também está na luta pela aprovação do PL 896/2023, o PL da Misoginia. O Projeto de Lei propõe a inclusão da misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação, com penas de dois a cinco anos de prisão e multa, além de tornar o delito inafiançável e imprescritível. O texto, que já foi aprovado no Senado, define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”.
Em 2025, as denúncias de misoginia na internet cresceram 224,9%, no Brasil. A Câmara aprovou o regime de urgência, mas a votação do texto ainda aguarda decisão do Plenário.
A misoginia se traduz no ódio, na aversão, no desprezo extremo às mulheres, muitas vezes manifestado por meio de violência física, psicológica e difamação. A cada dia de atraso na aprovação deste projeto, mais mulheres sofrem violência. “Não somos contra a família ou contra os homens. Somos a favor das mulheres, que estão pedindo socorro”, sublinhou Erilza.
Mobilização contra a misoginia
Neste domingo (2), Brasília vai às ruas pela aprovação do PL 896/2023, o PL da Misoginia. A mobilização começa às 9h30, no Eixão Norte, na altura da 204, e é organizada pelo Levante Mulheres Vivas.
Fonte: Condsef/Fenadsef
Foto: Reprodução/DR