Companheiras e companheiros,
Cumprimentando-os, faço aqui algumas considerações sobre a superação desta etapa de luta trabalhista, que foi a Campanha do ACT 2026-2027. Isso para contribuir na sempre necessária reflexão crítica – e autocrítica, no intuito de aperfeiçoar a nossa organização sindical, as mobilizações e o preparo das lutas vindouras.
Segundo a Condsef, colegas de 14 (quatorze) estados do Brasil aderiram à greve. Esse dado já é um caso de “copo meio cheio e meio vazio.” No Brasil, país gigantesco, essa participação já é um feito. Mas fica a questão de porque os colegas de 12 estados não aderiram em momento algum – quando a empresa contratante é uma só.
Aqui no RS, a abrangência foi total. A participação nas Assembleias de Greve sempre foi de mais de 100 pessoas, em Pelotas, Rio Grande e Santa Maria. E a consulta final virtual teve cerca de 400 votantes, que rejeitaram a proposta. O placar geral ficou com nove estados que aprovaram o acordo e seis que rejeitaram. No geral, o movimento foi tão organizado que o TST o reconheceu como legítimo, ao negar o pedido de abusividade feito pela empresa.
O Sindiserf/RS conduziu as Assembleias, acompanhou presencialmente todos os piquetes e proporcionou todo o apoio material solicitado. O custo entre as três bases ficou em cerca de 10 mil reais. E estima-se que a massa salarial nos três hospitais crescerá 10 milhões de reais ao ano com o ACT. Avaliando, sem esgotar o assunto, vê-se que funcionou a tese pela qual o resultado com luta quase sempre é melhor do que seria sem luta.
A primeira proposta era de zero reajuste financeiro. Nem mesmo as cláusulas sociais novas estavam garantidas, apenas a renovação das anteriores, e foi rejeitadas na mesa mesmo.
A segunda, de 50% do INPC, foi rejeitada nas Assembleias. E a terceira, com 100% do INPC, cláusulas novas e renovação das anteriores – mas com 50% do tempo parado (compensação), veio na 2ª conciliação, as vésperas do dissídio requerido pela empresa. E normalmente tem-se dado menos que o INPC nos dissídios.
Vários colegas se associaram ao Sindiserf/RS no processo. Alguns se desfilaram, também no calor do momento, e os procuraremos novamente. Novos representantes locais foram eleitos, sindicatos aliados e mídias alternativas apoiaram e deram espaço. A CUT-RS acompanhou de perto.
O objetivo do aumento real não foi atingido, obteve-se a recuperação da inflação do ano anterior e importante renovação e acréscimo de cláusulas sociais. Se considerarmos o conjunto da categoria no país, cerca de 150 milhões de reais foram incorporados na folha de salários dos/as empregados/as públicos da HU-Brasil. Dinheiro do povo brasileiro, que é melhor estar aí, com quem presta este serviço inestimável, ao invés de ir para os banqueiros e bilionários, através dos juros pagos pelo tesouro.
Walter Morales Aragão, secretário-geral do Sindiserf/RS – gestão 2025-2027