Uma roda de conversa marcou o encerramento das atividades do Agosto Lilás na segunda-feira, 31 de agosto, com um debate sobre a necessidade de ampliar a mobilização e construir ações permanentes de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Promovida pela Secretaria de Gênero, Raça, Juventude e Orientação Sexual da Condsef/Fenadsef, a atividade reuniu representantes do Dieese, da CUT e do movimento sindical para discutir caminhos de prevenção e combate ao feminicídio.
Durante o encontro, foi destacada a importância do debate com a lembrança de que, em 2026, a Lei Maria da Penha completou 20 anos. Além disso, foi unânime a constatação de que a construção de uma sociedade sem violência contra as mulheres precisa contar cada vez mais com a participação dos homens.
A proposta da roda foi justamente ampliar o diálogo com esse público. “Se os homens são grande parte do problema, precisam ser também uma parte efetiva da solução”, foi um dos pontos que motivaram a realização do encontro.
A violência contra as mulheres tem muitas faces, e o feminicídio representa o seu extremo. Por isso, os participantes ressaltaram que é necessário atuar antes que a violência chegue a esse ponto, com ações de prevenção, formação, conscientização e enfrentamento ao machismo estrutural.
Mais do que números, os casos de violência revelam aspectos sociais e históricos que ajudam a explicar o cenário atual. Além dos feminicídios consumados, o Dieese destacou que os dados sobre tentativas de feminicídio também são alarmantes. Em grande parte dos casos, os autores são homens que mantêm relações próximas com as vítimas, o que reforça a necessidade de ações voltadas à mudança de comportamentos e à prevenção da violência.
Mundo do trabalho como espaço estratégico
O debate também destacou o papel do mundo do trabalho no enfrentamento à violência contra as mulheres. Para os participantes, sindicatos e entidades representativas dos trabalhadores têm papel fundamental na formação, na conscientização e na construção de uma cultura de respeito e igualdade.
O movimento sindical pode contribuir para ampliar o debate e fazer com que a luta contra a violência seja assumida por toda a classe trabalhadora.
A construção de uma linha de ação que envolva homens e mulheres é apontada como um dos caminhos para fortalecer esse enfrentamento.
Representantes da CUT, incluindo as Secretarias Nacionais da Mulher Trabalhadora e de Combate ao Racismo, participaram da atividade. A presença reforçou a compreensão de que a violência contra as mulheres precisa ser enfrentada de forma ampla, considerando também as diferentes desigualdades presentes na sociedade.
A avaliação é de que, apesar das ações que já existem, os números e a realidade vivida por milhares de mulheres mostram que é preciso avançar. O combate ao feminicídio deve ser uma campanha permanente, com trabalho contínuo de formação e participação de toda a sociedade.
Cobrança por políticas públicas
Os participantes também ressaltaram a importância de cobrar dos governantes e dos candidatos às próximas eleições ações e políticas públicas concretas para enfrentar a violência contra as mulheres.
A luta, portanto, não deve se limitar ao período do Agosto Lilás. A defesa da vida das mulheres exige mobilização permanente, políticas públicas, prevenção e o compromisso de diferentes setores da sociedade.
A Condsef/Fenadsef e suas entidades filiadas, juntamente com a CUT, a ISP, o Dieese, o movimento sindical e a sociedade civil organizada, reafirmaram o compromisso de seguir atuando na construção de uma sociedade livre da violência contra as mulheres.
A mensagem deixada pela roda de conversa é de que enfrentar o feminicídio exige unidade. Homens e mulheres, sindicatos, instituições e sociedade precisam assumir sua parte nessa construção, para que a luta pela vida das mulheres seja, de fato, uma luta de toda a classe trabalhadora.
Fonte: Condsef/Fenadsef
Foto: Reprodução