O Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) representou a categoria junto às centenas de trabalhadoras e trabalhadores participaram da Marcha da Classe Trabalhadora, na manhã desta terça-feira (30), em Porto Alegre. Convocada pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, CUT, Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), a mobilização partiu da Rodoviária da Capital e percorreu diversas ruas do centro da cidade até o Palácio Piratini, onde se somou ao ato dos servidores públicos estaduais.
A manifestação reuniu representantes de sindicatos dos setores público e privado em torno de pautas comuns, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial, a valorização dos serviços públicos e a defesa dos direitos da classe trabalhadora.
De acordo com o secretário-geral do Sindiserf/RS, Walter Morales Aragão, a caminhada das centrais sindicais pelo fim da 6×1 recebeu muita simpatia dos trabalhadores do centro da capital. “Foi possível ver o sorriso de reconhecimento e apoio, principalmente dos empregados do comércio, categoria que sofre diretamente o peso da arcaica e brutal jornada 6×1”, disse ele.
Numa entrevista, Walter salientou que os colegas do serviço público sofrem com a precarização do setor, mas veem, nos serviços, o rosto sofrido do povo trabalhador “esgotado física e mentalmente pelo capitalismo selvagem que há no Brasil.”
Unidade entre trabalhadores fortalece a luta
Durante a marcha, o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, ressaltou a importância da unidade entre trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora e dos ataques aos serviços públicos.
Segundo ele, escolas, hospitais, serviços de segurança e diversas políticas públicas essenciais para a população dependem da valorização do serviço público e de seus trabalhadores. Ao mesmo tempo, alertou para o avanço das privatizações e da lógica de mercado sobre áreas fundamentais para a sociedade.
“Hoje é um dia de muita luta. Quando o setor público e o setor privado caminham juntos, estamos defendendo um país e um estado melhores. O serviço público é fundamental para a vida da população e não pode ser tratado como mercadoria.”
Ao chegar ao Palácio Piratini, os participantes da marcha encontraram os servidores públicos estaduais que realizavam mobilização contra a política de privatizações e em defesa dos serviços públicos. A convergência dos dois atos reforçou a compreensão de que a luta por melhores condições de trabalho está diretamente ligada à defesa do patrimônio público e dos direitos sociais.
Fim da escala 6×1 ganha apoio da população
Uma das principais bandeiras da mobilização foi o fim da escala 6×1, modelo que obriga milhões de trabalhadores a laborarem seis dias para ter apenas um de descanso. Para as entidades sindicais, esse formato reduz a convivência familiar, amplia o desgaste físico e mental e dificulta o acesso ao lazer, à educação e à participação social.
O debate tem ganhado força em todo o país. Pesquisa Datafolha divulgada neste ano apontou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, enquanto apenas 27% são contrários à mudança. O levantamento demonstra o crescimento do apoio popular à pauta, impulsionada pela mobilização de trabalhadores e movimentos sociais.
Outro estudo, realizado pela Genial/Quaest, mostrou que 68% da população é favorável à redução da jornada de trabalho, reforçando que a reivindicação já extrapolou o movimento sindical e passou a contar com amplo respaldo da sociedade.
Mais tempo para viver
Durante sua fala, Amarildo destacou que a luta pela redução da jornada está diretamente relacionada à qualidade de vida da população trabalhadora. Ele criticou a realidade enfrentada por milhões de brasileiros submetidos a jornadas extensas, salários baixos e pouco tempo para o convívio familiar.
O dirigente também chamou atenção para o impacto da atual jornada sobre as mulheres, que continuam assumindo a maior parte das tarefas domésticas e do trabalho de cuidado, mesmo quando possuem emprego formal.“O povo brasileiro quer o fim da escala 6×1 e uma jornada de 40 horas semanais. Quer ter direito a dois dias de descanso para conviver com a família, estudar, participar da comunidade, praticar sua fé, se divertir e cuidar da saúde.”, afirmou Amarildo.
A CUT-RS defende que os avanços tecnológicos e os ganhos de produtividade obtidos ao longo das últimas décadas devem ser revertidos em melhores condições de vida para quem produz a riqueza do país. Nesse sentido, a redução da jornada sem redução salarial é vista como uma medida capaz de gerar mais bem-estar, reduzir o adoecimento relacionado ao trabalho e ampliar a geração de empregos.
Pressão sobre o Senado
Os participantes da marcha também cobraram do Senado Federal o avanço das propostas que tratam da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Para as entidades organizadoras, a pauta representa uma demanda urgente da classe trabalhadora brasileira e uma oportunidade de modernizar as relações de trabalho no país.
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Ao final do ato, a avaliação das centrais sindicais foi de que a mobilização demonstrou a força da unidade entre trabalhadores do setor público e privado e reforçou a disposição da classe trabalhadora de seguir pressionando por mais direitos, melhores condições de vida e valorização do trabalho.
Fonte: CUT-RS
Foto: Reprodução CUT-RS


