Dia Internacional contra Discriminação Racial mostra impacto nas mulheres negras

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Neste 21 de março, Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, dados recentes e a realidade cotidiana evidenciam que o racismo estrutural segue aprofundando desigualdades no Brasil, com impactos diretos na violência, no mercado de trabalho e, de forma ainda mais intensa, na vida das mulheres negras.

Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no Anuário de Segurança Pública, a violência policial continua atingindo de forma desproporcional a população negra. Em 2023, mais de 80% das pessoas mortas por intervenções policiais eram negras, sendo a maioria jovens. O levantamento dialoga com o Atlas da Violência 2024, que aponta que jovens negros têm quase três vezes mais chances de serem vítimas de homicídio do que jovens brancos no país.

Essa realidade evidencia como o racismo estrutural atravessa o sistema de segurança pública e impacta diretamente a juventude negra, especialmente nas periferias urbanas.

Para a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira, os números evidenciam um padrão histórico de exclusão da população negra.

 

Racismo e desigualdade no mercado de trabalho

No mundo do trabalho, a desigualdade racial também se mantém evidente. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pessoas negras recebem, em média, cerca de 40% a menos do que pessoas brancas. Quando o recorte é de gênero, a desigualdade se aprofunda: mulheres negras estão na base da pirâmide salarial.

Além dos baixos rendimentos, elas enfrentam maiores taxas de informalidade e desemprego. Segundo estudos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), mulheres negras são maioria em ocupações precárias, como trabalho doméstico e atividades sem proteção trabalhista.

“É necessário ampliar políticas públicas, fortalecer mecanismos de fiscalização e promover mudanças estruturais que garantam igualdade de oportunidades”, defende Nogueira.

No cenário global, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) também aponta que mulheres negras e racializadas estão mais expostas à discriminação múltipla, com menor acesso a empregos formais e maior vulnerabilidade a abusos no ambiente profissional.

 

Violência e discriminação contra mulheres negras

Quando raça e gênero se cruzam, os indicadores revelam uma situação ainda mais crítica. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio no Brasil, representando cerca de 60% a 70% dos casos registrados.

Além da violência letal, elas também sofrem mais com assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. Um levantamento recente do Instituto Ethos mostra que mulheres negras relatam níveis mais altos de discriminação racial nas empresas, incluindo barreiras para promoção e episódios de preconceito direto.

 

Movimento sindical e enfrentamento

Diante desse cenário, a atuação da CUT tem buscado pautar o combate ao racismo e à desigualdade de gênero no mundo do trabalho

Júlia Nogueira reforça que o enfrentamento ao racismo precisa estar no centro das políticas públicas e das relações de trabalho. “Não há justiça social possível enquanto a cor da pele e o gênero definirem quem tem direitos e quem é excluído. A luta contra o racismo precisa estar no centro do projeto de país que queremos construir”, destaca.

 

Fonte: Condsef/Fenadsef

Foto: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL