O estado do Rio Grande do Sul será palco de uma mobilização inédita no 1º de Maio deste ano: o Festival dos Trabalhadores e das Trabalhadoras. O evento, que tem entrada gratuita, ocorrerá simultaneamente em cinco cidades: Porto Alegre, Caxias do Sul, Santa Maria, Passo Fundo e Pelotas. Sob o lema “lutar, celebrar e ocupar as ruas”, o festival une apresentações culturais, feiras de economia solidária e a defesa de pautas essenciais para a classe trabalhadora.
Cultura e luta sindical unidas
A iniciativa, promovida pelas centrais sindicais e produtores culturais, busca transformar o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora em um espaço vivo de conscientização e esperança. Além das celebrações, o evento pautará reivindicações urgentes, como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6×1, o combate ao feminicídio e a defesa dos serviços públicos.
Como afirma o presidente da Centra Única dos Trabalhadores (CUT/RS), Amarildo Cenci, o 1º de Maio é o momento de a classe trabalhadora reafirmar sua capacidade de transformar a realidade e construir um futuro mais igualitário.
Segundo Rodrigo Callais, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/RS), o objetivo é dialogar com a população através da arte e do lazer, fortalecendo a unidade contra retrocessos e em defesa da democracia.
Destaques da programação
Segundo o coletivo de produtores de Porto alegre que está à frente do Festival, a cultura e a arte são integradas como ferramentas estratégicas de comunicação, mobilização e construção de identidade, sendo capaz de libertar as pessoas e projetar um novo modelo de sociedade. “As manifestações artísticas servem para aproximar o público das pautas sindicais, transformando o dia de luta em um espaço de celebração, alegria e esperança”, explicam.
Cada cidade contará com uma programação diversificada de shows nacionais, regionais e locais:
Porto Alegre: As atividades ocorrem na Praça da Alfândega, das 10h às 23h. Entre os destaques estão a Feira de Economia Solidária e Criativa, o show nacional de Chico Chico, cortejo do Bloco da Laje, esquete com o Ói Nóis Aqui Traveiz e o encerramento com a escola de samba Imperadores do Samba.
Pelotas: O festival será na Praça Coronel Pedro Osório, das 14h às 22h. Estão confirmadas bandas renomadas como Produto Nacional (referência no reggae gaúcho) e 50 Tons de Pretas, além de talentos locais como Xana Gallo e a Banda Dona da Noite. O local também abrigará uma ampla Feira de Economia Solidária.
Caxias do Sul: A celebração será no Pavilhão da Uva, a partir das 14h, contando com apresentações de bandas como Modello, Mercosul, Cosmo Express e o show principal de encerramento com San Marino.
Passo Fundo: O evento acontece no Parque da Gare, das 13h às 21h. A tarde, o festival apresenta Pedro Munhoz, Julia Hellen e Ricardo Pacheco. A noite começa com Blues Jazzmine e finaliza com show da banda Chimarruts.
Economia solidária e inclusão
O festival também se consolida como uma plataforma de fortalecimento das redes criativas e produtivas locais. A presença das feiras de economia solidária apresenta alternativas ao modelo tradicional de trabalho, valorizando o esforço coletivo, a geração de renda regional e o fortalecimento das redes produtivas locais. Segundo os organizadores, a feira é uma forma prática de demonstrar que existem alternativas ao modelo tradicional de exploração do trabalhador.
Na Capital, a Feira de Economia Solidária e Criativa ocorrerá na Praça da Alfândega, das 10h às 20h, com artesanato, gastronomia e itens de empreendedores locais, além de ação social com a presença das cozinhas solidárias apoiadas pelo projeto CUT-RS na Comunidade.
Em Pelotas, a feira terá uma forte característica regional, reunindo produtores da cidade e de municípios vizinhos (como Canguçu, Morro Redondo, Jaguarão e Piratini). Ela será dividida em setores de alimentação, saboaria e limpeza, artesanato e confecção, e cozinhas comunitárias e brechós.
Lutas e pautas trazidas pelo movimento
As centrais sindicais (CUT/RS e CTB/RS) defendem um conjunto de pautas voltadas para a garantia de direitos, justiça social e o fortalecimento da democracia.
Segundo Amarildo Cenci, o evento “não é só memória das lutas do passado, é, sobretudo, um momento de organização para o presente e para o futuro. Em um cenário de escalada do autoritarismo e do fascismo. Esse 1º de Maio ganha ainda mais importância: é o dia de dizer que não aceitaremos retrocessos, de fortalecer a unidade e de colocar nas ruas as nossas pautas”.
As principais reivindicações do Dia Internacional do Trabalhador e Trabalhadora são a redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1, o combate à “pejotização“, a defesa e valorização dos serviços públicos, contra a reforma administrativa, o enfrentamento ao feminicídio e a defesa da democracia e soberania nacional.
As centrais sindicais convidam a população para participar do festival e fazer valer a voz do povo. “Essa é uma luta internacional, e cada um fazendo sua parte e fazendo a sua parte junto com os outros, a gente também constrói melhor”, afirma Cenci.
Fonte: CUT-RS com Brasil de Fato
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